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Avatares digitais x belezas reais

Estamos vivendo um momento onde muito se discute sobre sustentabilidade e medidas de preservação da natureza, onde o desperdício não será mais tolerado. E como desperdício, intitulamos não apenas o desperdício de resíduos mas também e principalmente o do tempo.




E por falar nisso, você já viu quantas pessoas passam uma boa parte do tempo decidindo qual filtro usar para ficar com a pele uniforme, mais iluminada ou mais bronzeada? Pois é, os filtros se popularizaram e hoje é quase impossível ver alguém que não usa nada na hora de se comunicar nas redes sociais. Por um outro lado, vemos como uma crescente os perfis que tem como foco desmistificar a beleza na internet, mostrando cenas reais do corpo com estrias, celulites, manchas, etc.


É interessante notar que os movimentos são contraditórios - marcas têm optado por estratégias de aproximação com o público de massa, tornando os modelos e atores mais próximos do seu público comum. No entanto, pessoas comuns ainda buscam o ideal imaginário da beleza.


Acreditamos que isso ainda se dê por conta do volume de atualizações com milhões de novas imagens todos os dias, que em sua maioria ainda priorizam o lado estético. E, com o aumento dos filtros, as pessoas passaram a se comparar cada vez mais como reflexo de uma realidade que não é vivida pela maioria dos consumidores desse tipo de conteúdo. Existem milhares de aplicativos para editar as fotos e remover acne, clarear os dentes e tirar celulites antes que as fotos sejam postadas, mas hoje é algo tão natural que as plataformas já estão refinando seus próprios recursos.


Que os padrões de beleza já existem há séculos nós sabemos, mas tudo se intensificou com o uso constante das redes sociais. Passou a fazer parte do dia a dia uma fixação por estar sempre produzida, maquiada e fazendo poses. Esse movimento começou a se tornar algo preocupante, já que é impossível ter a aparência photoshopada e pouco realista sempre, podendo causar consequências físicas e psicológicas.


Recentemente uma discussão sobre um filtro que simulava cirurgias plásticas bombou nos EUA e começou a discutir os impactos que isso pode ter na vida de todos. De maneira assustadora a opção do Instagram usava Realidade Aumentada (RA) e encaixava que procedimento precisava ser feito no rosto de cada um. Pouco tempo depois a plataforma removeu o filtro e afirmou a preocupação em relação a saúde mental das pessoas.


Em 2013, um estudo da Claremont Colleges teve como objetivo desmascarar as razões e as maneiras como as mulheres são particularmente afetadas pelas redes sociais no que diz respeito à sua imagem corporal pessoal. Esse é um problema que promove baixa autoestima e pode levar a distúrbios alimentares, dismorfia corporal, depressão e até pensamentos suicidas (na maioria das vezes entre adolescentes e adultos em formação).


Os filtros vão além apenas da escolha de que “máscara” você vai usar, mas como avatares de nós mesmos negligenciamos a oportunidade de construção da nossa própria verdade, da realidade que cada um quer construir para si. Seria esta a era dos avatares da nossa própria realidade? Ou seria a era da evolução de dentro pra fora? Da beleza gentil, honesta e amorosa com o melhor de nós que efetivamente conseguimos ser? Somos a favor da evolução constante e torcemos para que cada um possa encontrar sua melhor versão ao olhar para si. Mas de verdade! Sem desperdiçar tempo em uma direção que não leva a lugar algum. Mas usando esse tempo com qualidade, para que seja possível atingir seus objetivos. Então que tal aliviar os filtros e deixar que as versões não editadas de nós mesmos sejam compartilhadas?


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