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florescer em tempos de seca

Desde meados de março, quando o Brasil iniciou as medidas de combate ao novo Coronavírus, assistimos o início de um período em que as marcas e empresas não sabiam a melhor forma de agir. Fomos metralhados por informação. Falsas e verdadeiras, com ou sem viés político, pessimistas ou otimistas, a única certeza que tínhamos era que, pela primeira vez, ninguém sabia o cenário futuro. Uma situação sem precedentes, a qual nem o mercado financeiro e nem representantes de grandes institutos de pesquisa tinham conhecimento para afirmar um desfecho.


Estávamos - e ainda estamos - cobertos por "achismos", mas não demorou uma semana para entendermos que com o fechamento de todos os serviços e empresas consideradas não essenciais, teríamos um reflexo gigante na economia. Com poucas diretrizes, as marcas foram expostas a uma espécie de "prova de fogo". Sabe aquelas histórias em que os mais fortes sobrevivem? Pois bem, a situação é bem semelhante, mas não estamos falando de saúde e força física mas sim da capacidade de enxergar um novo cenário, com um novo perfil de consumidor e com novas necessidades.


As pessoas estão repensando seus gastos, prioridades e até desejos. Marcas precisam entender e se fazer necessárias. O consumidor nunca esteve tão atento aos valores intangíveis de uma empresa, a forma como ela se porta e se consegue estabelecer uma relação e experiência positiva em um momento em que estamos resignificando tantas coisas.


No post de hoje trouxemos o case da Poê, marca da Mariana Lambert e Fernanda Morelli que criaram a empresa com o objetivo de personalizar e valorizar a experiência de presentear como gesto de carinho. As meninas que tinham a empresa aberta há apenas 4 meses quando a quarentena começou, ganharam destaque eu tiveram um crescimento de aproximadamente 500% nas vendas durante o isolamento. O motivo disso? Aquilo que a gente sempre bate na tecla: Marca com propósito.


Chamamos elas para conversar, e fizemos algumas perguntas que podem servir de utilidade para ajudar as empresas a ultrapassarem esse momento de crise. Confira:


@minha.poe



1.) Como foi o crescimento das vendas da marca durante esse período de isolamento? A partir de que mês vocês perceberam que as vendas estavam aumentando?

Quando começou a quarentena, no início de março, não sabíamos muito o que esperar das vendas. Ficamos apreensivas, com medo da situação econômica como um todo, mas junto existia uma expectativa de que seria uma oportunidade para olharem para o nosso negócio e enxergarem que além da praticidade de ser tudo montado por nós, isso traz ainda mais personalidade para o presente.

A partir da segunda semana de março começamos a receber cada vez mais pedidos, emendando com a Páscoa e o Dia das Mães no meio desse período, o que fez com que entrássemos em um ritmo forte de trabalho de lá para cá.

2.) Conseguem estimar uma % de crescimento das vendas durante esse período?

Estimamos um crescimento de aproximadamente 500% das vendas durante esse período.

3.) O comportamento do consumidor brasileiro tem mudado muito durante a pandemia, as pessoas passaram a valorizar e dar prioridades para bens e setores diferentes do que anteriormente. Quais fatores vocês acreditam que fazem com que a Poê tenha essa percepção de valor para o consumidor durante esse momento de contenção de gastos?

Por natureza, a Poê entrega afeto, mensagens positivas e a possibilidade de personalização de acordo com a ocasião que tem tudo a ver com o momento que estamos passando. A Poê também traz a ideia de resgatar a poesia em nosso dia a dia, o que também colabora no quesito “presentes que abraçam” e vai de encontro a esse novo momento do consumidor brasileiro. Um dos valores mais percebidos e valorizados por nossos clientes é de que uma Poê não é “só” mais um presente.

4.) Existiu um planejamento de branding na construção da marca? Se sim, como foi esse processo?

Sim. Como nós duas somos formadas em comunicação, focamos muito em ter um storytelling consistente e uma identidade visual 360º que conversasse bem com o nosso propósito. Nos preocupamos também em deixar nossa marca, nosso jeito em tudo o que fizemos. As cestas são muito artesanais e o processo de construção de marca não poderia ser diferente. Aos poucos, fomos sentindo o mercado, a demanda, as oportunidades. Fomos aprimorando cada escolha para chegar a uma identidade visual que tivesse a ver com a gente, um tom de voz e um jeito de entregar, de fato, esse cuidado e carinho em cada detalhe. Entendemos que a informalidade e a aproximação com o nosso público, quebrando um pouco a distância que o mundo digital pode trazer no momento da compra era um caminho certeiro.

5.) Existem produtos específicos que tiveram um crescimento considerável no interesse das pessoas durante a quarentena?

Nossas cestas de café da manhã, as de aniversário que tem itens para a pessoa comemorar em casa, e as de skincare são as que estão fazendo mais sucesso durante esse momento.

6.) Qual tem sido a maior dificuldade/desafio de vocês como empreendedoras nesse momento de crise?

Acreditamos que a maior dificuldade para nós nesse momento de crise seja a manutenção do estoque. Durante a pandemia nossas vendas aumentaram muito, mas ao mesmo tempo, encontramos dificuldade para repor os itens com nossos fornecedores. Muitos fecharam ou entregavam com um prazo bem maior, o que nos estimulou a estar constantemente trazendo novidades para os nossos clientes com o que era possível. Então se deixássemos de ter algum item disponível já buscávamos outras alternativas atraentes para que o cliente não ficasse sem opções.

7.) A crise econômica que chegou junto ao Covid19 tem impactado grande parte das empresas do país. O que vocês acham que as diferencia das empresas que estão vivendo um movimento contrário nesse período com ascensão nas vendas?

O fato de termos iniciado a nossa empresa já no mundo digital nos deixou um passo a frente daquelas que tiveram que passar por essa transição nesse momento de crise. Ainda que nosso negócio seja recente, já tínhamos nosso público nas redes sociais e já estávamos adaptadas para essas plataformas.

Além disso, acreditamos que a nossa empresa em si acabou sendo mais visada por oferecer uma grande diversidade no mercado: somos especialistas em cestas personalizadas, mas não apenas de um só segmento (por exemplo comida). Tentamos sempre deixar o público bem a vontade para fazer um mix de itens sem que tenham que procurar em outro lugar caso queiram juntar um ou mais itens de segmentos diferentes.

8.) A Poê nasceu no meio digital e essa continua sua maior plataforma de vendas, certo? Vocês acreditam que isso foi um facilitador para o crescimento da marca?

Com certeza ter iniciado nossa marca já no meio digital impulsionou mais ainda nosso crescimento. Acreditamos que o e-commerce como um todo está sendo cada vez mais procurado pelos consumidores, seja pela praticidade de não sair de casa ou por estar cada vez mais acessível. Além disso, sentimos que aos poucos as pessoas estão perdendo o medo de comprar por uma plataforma mais informal, como o Instagram no nosso caso, e dando espaço para que empresas menores comecem a crescer.

9.) Quando a quarentena começou vocês pensaram em estratégias para lidar com esse novo formato do país ou não implementaram mudanças nas estratégias de venda e estrutura da empresa?

A quarentena nos pegou em um momento muito de início do nosso negócio. A Poê nasceu oficialmente em novembro de 2019 e começamos a falar em isolamento social em março. A vantagem é que justamente por ser o começo e por sermos em apenas duas pessoas trabalhando na empresa, foi uma adaptação muito mais fácil que de outros comerciantes. Nossa maior preocupação foi com o estoque uma vez que, sem os produtos, não conseguimos trabalhar. Com certeza precisamos fazer um investimento em estoque maior do que poderíamos para uma empresa recém-nascida, mas a estratégia nos manteve firme e em plena atividade mesmo durante a quarentena. O começo foi mais difícil, mas logo o próprio mercado foi se adaptando às vendas online e conseguimos garantir grande parte dos produtos que havíamos planejado para o catálogo atual. Tínhamos também a intenção de mostrar para os consumidores como a Poê era uma solução boa para presentear também em tempos difíceis: entregando afeto, presentes com significado – e sem sair de casa. Mas essa percepção aconteceu naturalmente reforçando todo o nosso branding e nos fazendo ter certeza de que estávamos comunicando bem e no caminho certo. Ficamos felizes em perceber que as pessoas entenderam o nosso negócio dessa forma, que era o nosso propósito desde o início (quando ainda nem sabíamos da pandemia).

10) O que vocês acham que a Poê pode trazer de dicas para lidar com esse momento difícil que estamos passando?

A pandemia mostrou que ter uma forte presença digital é imprescindível nos dias atuais. Mesmo quando o isolamento não for mais necessário, aqueles que não tinham o hábito de comprar online descobriram o conforto e a praticidade de comprar sem sair de casa. É um caminho praticamente sem volta e aqueles que não estiverem no ambiente digital vão ficar para trás. Não estamos falando que as lojas físicas vão perder espaço (temos exemplos de grandes marcas que nasceram do online e viram a necessidade de ter espaços físicos também). Mas as marcas precisarão se adaptar a esse consumidor com novos hábitos de compra. Investir em uma identidade visual legal para o seu negócio online, boas fotos, uma boa comunicação, atendimento bem feito e entregar conteúdo junto com a oferta de produtos, é um caminho que tem funcionado para pequenas e grandes empresas. A internet é um ambiente extremamente competitivo, então é necessário buscar formas se de diferenciar – o tempo todo.




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