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fadiga da quarentena

Entramos no mês de julho o que é quase um susto pois a sensação de que mês passado ainda era março é compartilhada por muitos. Ao mesmo tempo, entramos no quarto mês de quarentena no país o que representa mais de 100 dias em casa, mais de 100 dias sem compartilhar de um abraço, de ver as pessoas que estávamos acostumados a conviver diariamente, de fazer pequenas coisas tão corriqueiras e que nunca imaginamos que sentiríamos tanta falta como acordar em um sábado e comprar pão fresco na padaria.

A perspectiva ainda é nublada de quando o isolamento não terá mais necessidade, uma vez que o cenário ainda está crítico no país, mas tempos pra cá percebemos uma movimentação cada vez maior nas ruas e ao invés de conformismo, parece que a necessidade de liberdade tem ganhado cada vez mais voz dentro das pessoas.



O jornal “EL PAÍS” realizou uma pesquisa com psicólogos e psiquiatras para falar do assunto e eles acreditam que ainda que os dados continuem alarmando, as pequenas escapadas se tornarão cada vez mais comuns. A explicação, afirmam, é científica. Acontece porque os mecanismos de alerta do corpo humano, principalmente os cerebrais, que entram em ação ante um perigo, como a possibilidade de infecção por um vírus, entram em colapso depois de um tempo. É o que alguns especialistas chamam de “fadiga da quarentena” ou falência adaptativa. “Nosso sistema faz esforços para nos adaptar a situações novas e indesejadas, de privação. Mas, quando somos obrigados a fazer isso por muito tempo, esse mecanismo entra em falência e não conseguimos mais racionalizar”, explica Ricardo Sebastiani, especialista em psicologia clínica e saúde pública.

No início da quarentena, pouco sabíamos sobre a doença e haviam mais dúvidas do que respostas em relação a forma mais eficiente de achatar a curva e das melhores medidas a serem tomadas para que o sistema de saúde não entrasse em colapso e a economia fosse minimamente preservada. Esse cenário sem precedentes e coberto de questionamentos e opiniões favoreceu com que as medidas de isolamento fossem cumpridas de forma mais rígida pela população.


O que parece é que na fase que estamos vivendo o mindset das pessoas mudou e um “conformismo” em relação a convivência com a doença e até em relação a contraí-la ganhou espaço. “A verdade é que, enquanto não tivermos uma vacina, para muitos não se trata de ‘e se eu pegar a covid-19′, mas sim de ‘quando eu pegar a covid-19′. Quando o medo imediato some, as pessoas voltam a fazer churrasco e a lotar as praias”, diz Sebastiani.

O desespero emocional provocado pelo isolamento começou a escalar em meados de abril. Pesquisas constataram que estudantes e desempregados demonstraram maior intenção de violar a quarentena, por necessidade de trabalho, uma questão de subsistência. Mas há também a parcela da população em que sintomas de ansiedade já se instalaram em relação a durabilidade do isolamento. A necessidade de contato e relações pessoais é instintiva dos seres humanos de modo que é de se esperar que as pessoas comecem cada vez mais a buscar reencontros sociais.


Especialistas explicam que o conflito de narrativas governamentais sobre a crise de saúde também aumenta a urgência de algum tipo de “normalidade” para os cidadãos. Sem um norte claro político a sociedade tende a pensar por conta própria na forma que individualmente julgam correta de lidar com a pandemia. Estamos assistindo de camarote o reflexo disso nas redes sociais através de diversas festas clandestinas e fotos de praias superlotadas.

Os psicólogos não minimizam os danos que o isolamento acarreta nas pessoas, principalmente quando o “ficar em casa” também significa trabalhar em casa, criar lazer em casa e ter a escola dos filhos em casa. Segundo o especialista Ricardo Sebastiani, é tudo muito estressante sim. São cem dias de privações e medo, durante os quais recebemos muitos estímulos negativos e poucos estímulos positivos. Fomos privados até dos pequenos prazeres do dia a dia, como tomar café com um amigo. “Tudo isso faz com que a situação se torne insuportável em algum momento e passa a ser uma questão de o quanto vale a pena detonar a saúde mental para preservar a saúde física”, acrescenta.

Nós, brasileiros, somos culturalmente calorosos e acostumados ao contato físico. Diferente de outros povos, cumprimentamos até quem não conhecemos com abraço e beijo no rosto. Parece que tudo isso torna a dor ainda maior. Viver uma pandemia no século XX tem seus benefícios claro, somos munidos de instrumentos de comunicação digitais o que ajuda bastante a matar a saudades de quem está longe e manter o mínimo de interação social.

Sim, nós sabemos, não é a mesma coisa. Mas como diz aquele ditado: Quem não tem cão caça com gato, não é mesmo? Decidimos abordar essa reflexão para falar que você não está sozinho. É natural tudo isso que estamos sentindo, inclusive essa montanha russa de oscilações. Nossa dica é para que você utilize das ferramentas digitais para ficar próximo dos que estão distante, que converse com um profissional caso sinta necessidade, respeite as regulamentações de segurança e isolamento e lembre-se: embora não saibamos quando, isso vai passar!

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