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covid 19: a síndrome da cabana

Lembro como se fosse hoje que em meados de março, dia após dia falava-se cada vez mais sobre o Covid-19. Não demorou muito para uma onde de pânico se instalar sobre as pessoas principalmente quando entramos em uma quarentena voluntária e ainda haviam poucos casos registrados no país. Nas semanas seguintes os registros sobre depressão e ansiedade nunca foram tão altos e a insônia visitava a casa de muita gente. Um tsunami de questionamentos e indagações variavam de “ Até quando isso vai durar?” a “ Nós vamos enlouquecer em ficar um mês dentro de casa” .Passados mais de 100 dias e adivinhe só, nós não enlouquecemos – pelo menos por enquanto.



Dizem, que nós seres humanos somos 60% água e assim como matéria líquida, nossa capacidade de adaptação aos mais distintos ambientes externos é muito alta. A verdade é que uma realidade que nos parecia inadmissível e impossível de se adaptar foi com o tempo virando rotina e com o cenário cada vez mais crítico lá fora a sensação de segurança em poder estar em casa – pois sabemos que é um privilégio - foi crescendo dia após dia sem nem nos darmos conta.


Estamos no começo de julho e em muitos lugares do mundo o isolamento social já foi suspenso, e as pessoas podem sair livres pelas ruas, respeitando, é claro, as novas regras para evitar outro aumento no número de casos. No Brasil iniciamos um período em que novas medidas em relação a reabertura do comércio e outros estabelecimentos estão sendo iniciadas mas a ideia de sair de casa não é tão simples assim.


Passamos por um período muito longo dentro de casa, e enfrentar uma reconexão social pode ser mais difícil do que parece. Alguns especialistas apontaram que efeitos pós Covid-19 foram diferentes do que se esperavam, e muitas pessoas estão sofrendo da Síndrome da Cabana. O termo, originalmente conhecido como “cabin fever”, surgiu em 1900, quando era comum o medo de retomar ao contato social após um longo período de inverno. Seus sintomas são principalmente a sensação de precisar estar o tempo inteiro em estado de alerta, desesperança, motivação reduzida, desconfiança de todos e irritabilidade.


Especialistas apontaram que os mais afetados são aqueles que conseguiram administrar bem o período de isolamento e agora sentem uma forte sensação de inadequação ao pensar na ideia de voltar à vida normal. Após meses de quarentena, há quem sinta a ansiedade de retomar ritmos anteriores e até medo de sair de casa.


O mundo que estávamos acostumados trazia ambientes nem sempre saudáveis, estávamos tão acostumados a viver uma rotina intensa que nem reparávamos mais na pressão que isso também implementava em nosso cotidiano. Com isso quebrado por um longo período dentro de casa, entramos em um tipo de refúgio que nos manteve a salvos do vírus, mas também distante da turbulência do dia a dia que estávamos expostos.


O “novo normal” ainda é um mundo que a gente desconhece. Com novas regras de posturas sociais e higiene, é natural a aversão ao desconhecido. Para nos livrarmos dos medos que se intensificaram por ficarmos em nossa “cabana” durante um período tão longo, só com o tempo. O importante é enfrentar suas sensações e tentar entender de onde elas estão vindo. Cada pequeno passo diário será essencial para verificar que o mundo nem sempre é uma ameaça e que dias melhores virão.

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